Magnata da imprensa da Nova Zelândia afirma que “as redes sociais não são mídia de notícias” e boicota Facebook

Portal Imprensa - Internacional

Redação Portal IMPRENSA | 12/08/2020 10:42


A magnata da imprensa da Nova Zelândia, a ex-jornalista Sinead Boucher, decidiu desafiar o Facebook e outras empresas digitais. 


Boucher é a proprietária da mídia Stuff Ltd e assumiu o controle do portal de notícias mais popular da Nova Zelândia, stuff.co.nz e de veículos como Wellington's Dominion Post e Christchurch Press.


Em junho, decidiu cortar o vínculo com o Facebook, que até então facilitava entre 15 e 20% do tráfego da página.


No ano passado, o Stuff já havia parado de anunciar no Facebook, depois que a plataforma não aprovou reformas de longo alcance quando um extremista de direita matou 51 muçulmanos em Christchurch e divulgou a atrocidade na rede social.


Desde que Boucher assumiu o controle, o Stuff rompeu com o Facebook completamente, alegando que seus problemas haviam aumentado durante a pandemia.


"No quadro geral de boatos, notícias falsas e outras coisas, sentimos que não encaixava em nossos padrões e já não nos sentíamos confortáveis. Devo dizer que o impacto no nosso público tem sido mínimo", afirmou Boucher à Agence France-Presse (AFP).


Crédito:Internet






Jornalismo de qualidade


Boucher gostaria que o restante da mídia adotasse a mesma linha, alegando que a pandemia estimulou o interesse do público por conteúdo jornalístico de qualidade e que foi uma boa oportunidade para se conectar com diferentes públicos sem depender dos "likes" do Facebook.


E embora a COVID-19 tenha tido um "grande impacto" na receita do Stuff, a empresária garante que "nosso público nunca foi tão forte, porque todo mundo se volta para o jornalismo em busca de informações confiáveis".


Boucher também concorda que a Austrália deve exigir que o Facebook e o Google paguem à mídia pelas notícias que publicam em seu conteúdo.


"Ambos fizeram um ótimo negócio, de uma forma ou de outra, coletando conteúdo de outros", afirma, incentivando o governo da Nova Zelândia a empreender uma ação semelhante.


O principal veículo do Stuff é o portal stuff.co.nz, mas Boucher garante que o grupo é "um ecossistema de negócios digitais" e que, embora alguns não sejam relacionados ao noticiário, ajudam a custear o caro negócio do jornalismo.


Em uma indústria devastada pela perda de empregos durante a pandemia, Boucher se orgulha do fato de seu grupo não ter cortado postos de trabalho.


No auge da crise foi imposto um corte de 15% ao salário dos funcionários por 12 semanas (a própria Boucher cortou seu salário em 40%), mas a empresa devolveu o dinheiro dos cortes no mês passado.


Além disso, o Stuff incentiva seus leitores a fazer contribuições com campanhas como: "porque as redes sociais não são mídia de notícias".


Apoio dos leitores


 


De acordo com Boucher, tanto sua estratégia de arrecadação de doações quanto o boicote do Facebook tiveram forte apoio público, já que as pessoas querem apoiar fontes de notícias confiáveis em um momento de grande incerteza. "A crise da COVID realmente explica a necessidade do jornalismo", conclui.

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