Na era da polarização da opinião, TV americana lança telejornal que promete ‘não ter ponto de vista’

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Redação Portal Imprensa | 03/09/2020 09:28


Na disputa pela audiência da TV a cabo americana, a rede WGN lançou esta semana um telejornal com a proposta de dar notícias sem opinião.


 


O News Nation tem três horas de duração – das 20h às 23h - e não pretende levar aos telespectadores quadro comuns na concorrência como painéis, debates e comentários de âncoras. A ideia é apostar em um programa "sem ponto de vista" na era da polarização da opinião.


 


Crédito:Reprodução / WGN



 


Bancada do News Nation


 


“Queremos apresentar um noticiário todas as noites que você possa sentar e assistir com seu outro membro da família que não concorda com você”, disse Sean Compton, do Nexstar Media Group, dono da WGN America, em entrevista ao Deadline.com.


 


Outros veículos planejam lançar programas com abordagem semelhante. No final do próximo mês, a CNBC deve lançar um jornalístico às 19h, o The News with Shepard Smith, que segundo a rede de televisão, será "um noticiário noturno não partidário baseado em fatos".


 


Na mesma linha, o Sinclair Broadcast Group, que foi criticado por apresentar uma tendência conservadora nos comentários do noticiário local, também deve lançar no início do próximo ano um "serviço de manchetes matinal".


 


Para trabalhar no News Nation e com o intuito de chegar à desejada isenção, a TV WGN America contratou dois editores e um grupo de especialistas em discurso e retórica para observar o preconceito nas falas dos jornalistas.


 


A equipe de notícias fez ensaios durante mais de um mês e já experimentava as mudanças. Em um script sobre o recente testemunho do empresário Louis DeJoy perante o Congresso, por exemplo, havia o termo “em apuros”.


 


Depois da avaliação dos especialistas contratados e de pesquisas sobre a definição do termo e seu contexto, ele foi retirado.


 


Outro exemplo foi como eles trataram as manifestações por igualdade racial nas principais cidades americanas, procurando examinar a distinção entre um protesto e um motim.


 


“Colocamos nossa equipe de pesquisa nisso para realmente cavar algumas das palavras que as pessoas estão usando para descrever o que está acontecendo nas ruas americanas agora, e realmente entendemos as palavras que estamos usando e o poder por trás delas”, disse Marni Hughes, âncora do programa.


 


Ela acrescentou: “O que não fizemos foi dizer às pessoas o que pensamos sobre isso, ou o que você deveria pensar sobre isso. Nós apenas colocamos tudo para fora. Usamos as definições, usamos a pesquisa para obter a história e colocamos na tela e deixamos as pessoas digerirem, e passamos para a próxima história”.


 


Eason Jordan, CEO da Oryx Strategies, que foi executivo-chefe de notícias da CNN, disse que vê o lançamento da News Nation com "uma mistura de admiração e desânimo", pois "eles pretendem imitar as notícias diretas da CNN, fórmula lançada em 1980".


 


“As notícias diretas no horário nobre funcionavam então, na ausência da internet, das redes sociais e de outras redes de notícias de TV”, disse ele ao Deadline.com. “Na era profundamente polarizada e com excesso de informações de hoje, existe um mercado para notícias diretas no horário nobre? Se for assim, acredito que já o teríamos".


 


A WGN America realizou pesquisas com o público e chegou à conclusão de que “as pessoas estão cansadas de não ser informadas”, disse Compton. “Elas estão sendo informadas sobre como se sentir e só querem ser informadas. Havia um grande público para isso", defende.


 


 

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