Começa julgamento de extradição que pode levar fundador do Wikileaks a ser condenado à prisão perpétua

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Redação Portal Imprensa | 08/09/2020 12:09


Começou nessa segunda-feira (7) o polêmico julgamento da extradição do australiano Julian Assange para os Estados Unidos pelos crimes de espionagem e conspiração por intromissão informática contra o governo americano. Se extraditado, ele pode ser condenado a 175 anos de prisão.


 


 


Crédito:Cancillería Ecuador / Wikimedia



 


Julian Assange


 


Desde abril de 2019, Julian Assange está na prisão britânica de Belmarsh, em Londres, após ser preso pelas forças britânicas na embaixada do Equador.


 


Jornalista e fundador do Wikileaks, ele é acusado pelos americanos de encorajar o denunciante Chelsea Manning em 2010 a invadir o sistema de computador do governo para fornecer informações contendo evidências claras de crimes de guerra cometidos pelos EUA, incluindo a publicação do vídeo Assassinatos colaterais.


 


O vídeo mostra, por meio de uma câmera a bordo de um helicóptero dos EUA no Iraque, o tiroteio deliberado em 12 de julho de 2007, em Bagdá, por militares americanos. Pelo menos 18 pessoas morreram no incidente, incluindo dois jornalistas da agência Reuters. 


 


Nessa segunda, quando se iniciou a terceira rodada de audiências sobre a extradição, a juíza britânica Vanessa Baraitser rejeitou a solicitação de adiamento feita pela defesa para analisar novas acusações feitas por Washington. Ela já havia recusado outro pedido para excluir do processo uma acusação nova de “conduta criminosa” atribuída a Assange.


 


O procurador do caso, Joel Smith, representante da Justiça americana, afirma que o jornalista colaborou com hackers e tentou recrutar pessoas para obter "os vazamentos mais procurados".


 


Em depoimento no primeiro dia de audiências, o historiador de jornalismo Mark Feldstein, da Universidade de Maryland, defendeu que as acusações contra Assange têm "motivações políticas".


 


Ele afirmou que o trabalho do jornalista é protegido pelas cláusulas da Constituição dos EUA sobre a liberdade de imprensa e expressão. No entanto, o governo de Donald Trump indicou que a regra não se aplica a estrangeiros.


 


Os depoimentos devem continuar pelas próximas três semanas e serão cruciais para definir o destino do fundador do Wikileaks e membro da Federação Internacional de Jornalistas (IFJ).


 


Anthony Bellanger, Secretário Geral da IFJ, que mantém contato regular com o pai de Assange, John Shipton, demonstrou preocupação. “Apesar de Assange ter conseguido encontrar seus parentes no final de agosto, incluindo seus filhos, sua saúde ainda é muito preocupante e nenhuma medida está sendo tomada para melhorá-la", disse.


 


"A situação também é crítica do ponto de vista judicial, pois os tribunais britânicos terão que decidir sobre a extradição de Julian Assange para os EUA, abrindo a porta a uma sentença de prisão perpétua para o fundador do Wikileaks”, reforçou.


 


 


Para a FIJ, o Reino Unido está detendo “sem vergonha” um homem que divulgou informações de interesse público.

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