Podcast e marketing de conteúdo: mídia.JOR discute estratégias dos novos formatos

PORTAL IMPRENSA

Redação Portal IMPRENSA 08/09/2020 15:55


O mídia.JOR discutiu sobre novos formatos que já são uma realidade para muitos jornalistas: o podcast e o marketing de conteúdo. 


Richard Miron, fundador da Earshot Strategies, explicou sobre a importância do podcast nos dias de hoje e no futuro.


Já Vitor Peçanha, cofundador da Rock Content, falou sobre a sua experiência na transformação digital e no mercado de criação de conteúdo para jornalistas.



Podcast veio para ficar


Richard Miron começou a carreira como produtor na rádio BBC, em Londres. Saiu da BBC para trabalhar na ONU, como porta-voz e oficial sênior de comunicações no Oriente Médio. Em 2012, trabalhou como oficial sênior de comunicações do Banco Mundial.


“Alguns anos depois, os podcasts se tornaram muito populares nos EUA. Um podcast chamado ‘Serial’ teve quase 40 milhões de downloads. Eu comecei a pensar que existia um potencial para públicos menores. E fiz uma série interna para o pessoal do Banco Mundial, entrevistando funcionários do Banco Mundial que se tornaram autores. Com esse experimento, abri minha própria consultoria, Earshot Strategies, em Londres, onde estou baseado hoje. De certa forma, essa foi a base de todos os meus projetos profissionais”, relata. 


Miron acredita que o podcast é uma forma de comunicação não só para corporações e organizações, mas qualquer pessoa que deseja ser um líder de pensamento.


“Para mim, os podcasts são como a versão em áudio de uma fogueira onde as pessoas se reúnem de forma íntima, trocando histórias e ideias. Isso é parte da razão pela qual acredito que os podcasts têm sucesso e porque gosto tanto deles. Isso está no cerne da nossa humanidade. Nós nos comunicamos através da fala desde o início da história humana. Sentados em volta de uma fogueira, onde quer que seja, em grupos. O podcast é a versão digital desse encontro”.


Grupos segmentados 


Para Miron, o podcast tem uma transmissão mais restrita a certos grupos e eles são segmentados. 


“São pessoas que se comunicam sem o intermédio da mídia. Então eu acredito, como falei, que o podcast é outro formato de mídia. Até difere do rádio, um formato onde necessitamos de mediadores e intermediários e que é direcionado a um público mais abrangente.


Por que dar atenção aos podcasts? Miron afirma que o fato de eles serem populares já é um motivo.


“A popularidade dos podcasts pode ser explicada em parte pela onipresença dos smartphones. Podcasts em espanhol também são populares na América Latina, na Espanha e nos EUA”. 


O podcast no Brasil 


Miron apresenta dados que mostram que os podcasts no Brasil vêm vivenciando um grande crescimento.


Os downloads de podcasts no Brasil cresceram em 33% e o consumo mensal de podcasts pelo Spotify tem crescido 21% no Brasil em média desde 2018. E brasileiros escutam por bastante tempo, 2h52min, de acordo com a Associação Brasileira de Podcasters. 


Produzindo um podcast


Para Miron, não há a necessidade de um estúdio para a produção de um podcast. Só de um gravador decente e um software.


“O que você precisa é uma compreensão sofisticada do que o ouvinte quer e qual programa apresentar.


Ele destaca ainda a pesquisa realizada pela BBC no campo da neurociência que descobriu que a maioria das pessoas ouve podcasts ao fazer outras tarefas. Porém, além disso, o fato de fazerem outras tarefas as torna mais receptivas à mensagem do podcast.


“Sempre houve uma relação próxima entre os programas de rádio e os ouvintes. As pessoas sentem que conhecem os apresentadores de rádio. Isso acontece ainda mais com podcasts. Um dos achados do estudo é que ouvintes fazem associações inconscientes com marcas mencionadas nos podcasts dependendo das palavras mencionadas. Acredito que os podcasts se comunicam mais profundamente com os ouvintes do que outras mídias”. 


Como chegar ao público 


Uma vez que você tem um podcast, é muito importante saber como chegar ao seu público-alvo.


“Em vez de criar um podcast para um grupo imenso, podemos estreitar o público. O rádio é uma mídia de massas, o podcast tem um público restrito, focado em um segmento específico. Isso pode ser feito pensando no que o público quer, qual é o interesse do público, o que faz um bom conteúdo e como informar ao público que o programa existe. É isso que fazemos com os podcasts”. 


Crescimento


Miron aposta no crescimento dos podcasts, pois eles tratam exatamente do que interessa aos ouvintes e atendem a uma necessidade fundamental das pessoas.


“Eles nos dão alimento para o cérebro. E fazem de uma forma alinhada ao nosso estilo de vida. Essa vida corrida e agitada onde queremos tudo "on demand". Em qualquer horário do dia ou da noite podemos ouvir um podcast”, finaliza. 


 


Crédito:mídia.JOR



 


Marketing de conteúdo: a experiência da Rock Content


A Rock Content ajuda as empresas na criação e execução de estratégias de marketing digital tendo como base o conteúdo. A Rock começou em 2013 com uma proposta inicial de terceirização de conteúdo para marketing. 


Assim, a partir de uma rede de freelancers, que incluem redatores e designers, produz conteúdo seguindo boas práticas para atrair públicos para as marcas. 


“A gente tem um software de criação de experiências interativas, como quiz, calculadora etc. que é um tipo de conteúdo que pode atrair as pessoas. Além disso, temos uma plataforma de hospedagem de blogs e sites e um software de gestão de processos de times de marketing e agências de publicidade”, explica Vitor.


Tipo de conteúdo 


Vitor explica que o tipo de conteúdo da Rock é bem variado porque o mundo digital trouxe necessidades e formatos diferentes dos que existiam antes. 


“Por exemplo, o interativo é um formato de conteúdo. O vídeo, textos para blog e e-book e postagens em redes sociais. Até mesmo a propaganda mais comercial tem um formato de conteúdo. Desde que você entenda que ela faz parte de uma jornada. Então a gente mapeia toda uma grande jornada que vai do ‘Ah, eu não quero comprar nada, mas estou com um mal-estar’. Aí você vai jogar no Google: causas do mal-estar. E se a sua empresa responder a isso é a sua marca que vai ficar na cabeça das pessoas”, relata. 


Além do tipo de conteúdo, é interessante observar que o mundo digital tem particularidades. 


“Escrever para ranquear no Google não é a mesma habilidade do que escrever para uma revista. Você compra uma revista e seu conteúdo está lá dentro. No Google, cada unidade de texto é encontrada”.
 


Marketing de conteúdo para jornalistas


O cofundador da Rock afirma que o mercado de conteúdo de marketing é ótimo para jornalistas e que o profissional se diferencia de alguém que não possui esta especialização.


 “O marketing de conteúdo está muito evoluído principalmente nas grandes empresas. Existem ótimas estratégias que envolvem conteúdo otimizado que é feito para trazer tráfego do Google e visibilidade. O princípio é resolver as dúvidas das pessoas, mas existe também a necessidade daquele conteúdo que traz algo novo e que vai trazer opinião e pesquisa. As empresas estão demandando isso e é uma frente muito forte para se especializar”.  


Vitor ressalta a importância do poder de escolha dos consumidores, diferente do período anterior ao digital. “Hoje é um pouco diferente porque o poder da escolha está muito na mão do leitor. É ele que entra no Google e procura. E ele decide em qual texto clicar, quem ele vai seguir nas redes sociais, qual propaganda ele vai pular”.


Oportunidade para jornalista recém-formado 


Vitor afirma que vale muito a pena para um jornalista recém-formado procurar emprego em empresas de marketing de conteúdo.


“Se você quiser seguir na área de produção de conteúdo vale muito a pena porque a demanda só cresce. Se você é jornalista, provavelmente, você já está passos a frente. Não pelo seu currículo, mas porque você passou quatro anos pensando nisso”.


Ele dá uma dica prática para os estudantes: “Você pode pensar. O que eu posso criar agora? Estude um pouco sobre estratégias para redação da web. Não quer dizer que você tem que deixar de lado a maneira de escrever do jornalista, mas combinar os dois é um grande segredo. Quando você for bater na porta de uma empresa, você terá algo para mostrar”.  



Sobre o mídia.JOR


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