Jornalista encabeça cooperativa de veículos independentes nos Estados Unidos

PORTAL IMPRENSA

Deborah Freire | 09/09/2020 12:45


A busca pelo fortalecimento da imprensa independente sempre foi um objetivo da jornalista Maria Bustillos. Há pouco mais de dez anos, a enxurrada de ataques judiciais do bilionário Peter Thiel ao Gawker, que provocou o encerramento do blog, a levou a refletir sobre a fragilidade desse tipo de mídia e buscar incessantemente formas de proteger jornalistas e a liberdade de imprensa.


 


 


Crédito:Arquivo Pessoal



 


Maria Bustillos


A primeira tentativa foi por meio da plataforma Civil, no final de 2017, mas falhou mesmo com o envolvimento de vários editores que trabalhavam “juntos e comprometidos com a noção fundamental de esforço cooperativo”, como destacou Bustillos em entrevista ao Portal Imprensa.


 


Mas foi a partir daí que surgiu a ideia de lançar o Brick House, uma reunião cooperativa de publicações já existentes, entre elas a revista online “Alt-global”, o “Popula” e o site de notícias investigativas “Sludge”. 


 


Somam-se a esses, um site de quadrinhos, o “Awry”; um site focado na fé e espiritualidade, “Preachy”; e o “OlongoAfrica”, centrado na África, além de outros.


 


“É uma oportunidade de ajudar a construir uma estrutura de negócios por meio da qual os jornalistas podem fortalecer os esforços uns dos outros de forma cooperativa. [Após o encerramento do Civil], continuamos e desenvolvemos uma maneira de promover os mesmos objetivos dentro de uma estrutura cooperativa mais convencional”, explicou.


 


Nove editores participam do Brick House e todos operam de forma independente. Os líderes das redações são Harry Siegel, Dra. Christine Greer e Alex Brook Lynn, responsáveis pelo FAQ NYC; Tom Scocca e Joe MacLeod, do Hmm Weekly; David Moore e Donald Shaw, do The Sludge Report; K?´lá Túb?`sún, do OlongoAfrica; Mike Kanin e Sunny Sone, do Preachy; Myriam Gurba, do Tasteful Rude; Jason Adam Katzenstein, do Awry; Brian Hioe, do No Man is An Island; e ela, Maria Bustillos, com o Popula, todos reunidos na Califórnia.


 


O público do projeto é o mais variado possível. Como a jornalista destaca, “estamos oferecendo um caleidoscópio de notícias, quadrinhos, política, crítica, humor e ensaios de todo o mundo, e esperamos atingir uma ampla variedade de leitores”.


 


E o conteúdo, segundo reforça, terá como base principal o respeito aos direitos de expressão e a liberdade de imprensa. O projeto será mantido com assinaturas de leitores e apoiadores, ao custo de 75 dólares ao ano.


 


Para Bustillos, cooperativa pode ser um caminho em resposta aos fortes e constantes ataques que a imprensa vem sofrendo por todo o mundo. “Precisaremos de muitas novas abordagens para protegê-la. Espero que a Brick House Cooperative inspire outras pessoas a fazer uso de nossas ideias e a desenvolver novas”.


 


 

Voltar