Seis ferramentas e seis técnicas para desmascarar autores por trás de desinformação

Portal Imprensa - Últimas notícias

Redação Portal IMPRENSA | 01/03/2021 13:04


O jornalista Alexandre Capron esperava encontrar uma organização com muito dinheiro quando começou a investigar uma campanha de informações falsas sobre a covid-19 que havia chamado a atenção de centenas de milhares de pessoas na África e no oeste europeu.


Crédito:Pexels



Postagens de cinco perfis populares do Facebook continham citações falsas atribuídas a presidentes e autoridades médicas e pareciam ser habilmente elaboradas para explorar ressentimentos entre muitos da República Democrática do Congo (RDC) e da grande comunidade de congoleses que migraram para a França.


 


Capron usou um conjunto de ferramentas de rastreamento incluindo Hoaxy, whopostedwhat.com e a ferramenta Transparência do Facebook, para encontrar a organização por trás disso.


 


Ao contrário do que imaginava, ele encontrou um estudante universitário de 20 anos e um estudante do ensino médio de 16 anos na capital da RDC, Kinshasa, brincando. O administrador da página de 20 anos disse a Capron: “Nós inventamos histórias para conseguir seguidores. Damos aos seguidores da página novas informações que eles não leram em outro lugar”.


 


Como rastrear informações


 


A Global Investigative Journalism Network (GIJN) entrevistou sete repórteres e editores que trabalham com desinformação sobre a covid-19 e identificou seis ferramentas e seis técnicas comuns a muitas das investigações descritas nas entrevistas. As seis ferramentas para identificar os responsáveis por trás da desinformação são:


 


1 - Hoaxy. De código aberto, permite que você visualize a disseminação de postagens e artigos online, pesquise artigos de fontes com pouca credibilidade e mapeie o número cumulativo de compartilhamentos ao longo do tempo.


 


2 - CrowdTangle. Esta plataforma de monitoramento oferece ótimos insights sobre como o conteúdo é compartilhado em redes sociais como Facebook, Instagram e Reddit.


 


3 - Graphika. Permite que você mapeie o cenário das mídias sociais e encontre conexões entre domínios. Uma ferramenta complexa, mas eficaz para visualizar graficamente os fluxos de desinformação é o Gephi.


 


4 - DNSlytics.com - Para investigar desinformação e golpes com motivações financeiras, ela pode ajudá-lo a rastrear anúncios e atividades comerciais suspeitas em sites. Contas premium pedem uma pequena taxa de assinatura. Para redações com grandes orçamentos investigativos, o Adbeat é uma ferramenta que vasculha a web e fornece informações úteis sobre anúncios exibidos on-line.


 


5- Whopostedwhat. Criado pelo especialista em inteligência online Henk van Ess, é uma ferramenta projetada para investigadores com foco no interesse público, que permite pesquisar palavras-chave no Facebook por data. Junto com a ferramenta de verificação de vídeo InVID e o CrowdTangle, ele surgiu como uma ferramenta importante para rastrear os responsáveis por trás de postagens enganosas de mídia social.


 


6- Pesquise no Google para encontrar perguntas, ao invés de respostas. Rinehart disse que digitar metade de uma pergunta no Google, como "Por que o governo federal ..." fornece questões que são procuradas com frequência e que podem dar aos repórteres uma noção do que as comunidades suspeitam, ou não sabem, ao consumir notícias. Um exemplo famoso foi a pergunta "O que é a União Europeia" - amplamente feita pelos britânicos no dia seguinte à votação do Brexit no Reino Unido.


 


E veja ainda as seis técnicas para rastrear as pessoas por trás da desinformação 


 


1 - Encontre a foto de perfil ou foto de capa mais antiga da página suspeita que você está investigando. Em seguida, veja as “curtidas” e comentários. Frequentemente, pessoas próximas ao proprietário da página - ou mesmo o próprio proprietário - são as primeiras a "curtir" ou interagir com essas imagens.


 


2 - As informações são ligeiramente diferentes entre o antigo e o novo design das páginas do Facebook, portanto, altere entre as duas versões para verificar se há dados ou links mais úteis no formato antigo. Procure recibos em grupos do Facebook, onde os consumidores se reúnem para reclamar dos produtos. 


 


3- Ao tentar contato direto com “trolls” (pessoas que estimulam as discussões acaloradas nas redes) - e descobrir a motivação por trás de suas ações - é importante se apresentar como um repórter. No entanto, alguns jornalistas descobriram que os trolls são muito mais propensos a concordar com entrevistas quando a abordagem se concentra na popularidade de suas páginas, em vez de seu conteúdo falso. “Não minta sobre suas intenções, mas [os trolls] gostam de falar sobre popularidade”, observa Capron.


 


4 - Coloque o conteúdo da seção “Sobre nós” de sites suspeitos de golpes entre aspas ao fazer pesquisas no Google para saber se outras lojas foram criadas com o mesmo pano de fundo na rede. Use as aspas para URLs e domínios também - como em “site: youtube.com”.


 


5- Identifique uma possível informação incorreta por meio de sinais de alerta no conteúdo, incluindo linguagem emotiva ou exagerada, e chamadas apelativas, como: “Leia esta notícia importante antes que o Twitter a remova.” Linguagem idêntica nas postagens do feed de notícias é outro indicativo. Preste atenção aos sites com domínios “.news”, pois as redes de desinformação costumam usá-los para isolar públicos com diferentes pontos de vista ideológicos.


 


 


6- Evite aumentar o alcance das mensagens falsas ou as marcas extremistas que você está investigando. Aimee Rinehart do First Draft sugere que postagens com informações falsas publicadas por grupo de teorias da conspiração como o QAnon excluem a palavra "QAnon" de seus títulos e das três primeiras frases, para diminuir a chance de que o termo possa ser divulgado como uma tendência. Silverman afirma que essas histórias começam, idealmente, com os fatos verdadeiros, seguidos por uma descrição cuidadosa da informação falsa - e que os fatos verificados são repetidos perto do final para reforçar a ideia de verdade na memória dos leitores. “Mostrem a responsabilidade dos trolls sem lhes dar a notoriedade que desejam”, diz ele.

Voltar