Conferência do Dia da Liberdade de Imprensa discute segurança de jornalistas

Coletiva.Net

20/05/2022 14:00


Encontro foi realizado pela Unesco no Uruguai e teve como tema "Jornalismo sob cerco digital".



 


Foram debatidos os progressos e aprendizados da última década - Crédito: Banco de imagens / Canva


Realizada pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), em Punta del Este, no Uruguai, a Conferência Global do Dia Mundial da Liberdade de Imprensa teve como tema 'Jornalismo sob cerco digital'. O encontro abordou, entre outros assuntos, a segurança de jornalistas e as diferentes formas de assédio à imprensa. Entre as entidades participantes, esteve presente a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), que é parceira do evento no Brasil.


A conferência ainda incluiu palestras sobre o 10º aniversário do Plano de Ação das Nações Unidas sobre a Segurança dos Jornalistas e a Questão da Impunidade. Na programação, foram debatidos os progressos e aprendizados da última década, bem como os desafios que ainda precisam ser enfrentados. Para Tawlik Jelassi, diretor-geral adjunto de Comunicação e Informação da Unesco em Paris, é fundamental "tirar algumas lições para orientar nossas decisões no futuro". Ele salientou a importância de buscar o apoio de outras forças democráticas para garantir a liberdade de imprensa. 


Outro assunto de destaque foi a violência contra mulheres jornalistas. Ricardo Perez Manrique, presidente da Corte Interamericana de Direitos Humanos, enfatizou que o número de ataques a este grupo é mais preocupante do que os direcionados aos colegas homens. Estatísticas do último Estudo Online Global Sobre Violência Contra Mulheres Jornalistas ICFJ-Unesco apontam que impactos na saúde mental foram os mais identificados (26%) entre as participantes da pesquisa. O levantamento ainda mostrou que 48% foram assediadas com mensagens privadas indesejadas. 


Inclusive, em sua fala de abertura como moderadora do painel 'Diálogo de alto nível sobre liberdade de imprensa e o Plano de Ação da ONU sobre a segurança de jornalistas e a questão da impunidade', a secretária executiva da Abraji, Cristina Zahar, comentou sobre o estudo. Ela mencionou que 73% das mulheres profissionais de mídia experimentaram violência on-line. "As consequências são autocensura nas redes sociais, além de impactos na saúde mental e na produtividade", destacou.


 


A conferência também contou com o lançamento do Safe Box, ferramenta on-line de armazenamento seguro lançada pela organização francesa Forbidden Stories. Caso o profissional de imprensa seja ameaçado, sequestrado, preso ou assassinado, a rede de jornalistas formada pela ONG poderá continuar o trabalho do colega, publicando-o em diversos países.

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