5G é nova frente das teles para rediscutir neutralidade de rede

Convergência Digital - Telecom

Quase uma década depois da neutralidade de rede virar lei no Brasil, as operadoras de telecomunicações veem no 5G uma nova oportunidade para voltar a combater esse princípio básico da internet na tentativa de aumentar os ganhos com as redes. 


“Nós, operadoras, investimentos na rede, remuneramos toda a cadeia downstream, os provedores de infraestrutura, os fabricantes, e habilitamos que as OTTs rodem em cima de nossas redes. Quase 80% do tráfego é de OTTs, mas sofremos duas assimetrias, na distribuição de valor ao longo da cadeia e na regulação diferenciada”, disse o presidente da TIM, Alberto Griselli, nesta terça, 28/6, ao participar da abertura do Painel Telebrasil 2022. 


Griselli lembrou com alegria que a FCC dos Estados Unidos derrubou a regra de neutralidade de rede e abriu caminho para acordos como os fechados entre a Netflix e a Comcast “para garantir qualidade de rede”. Lembrou, ainda, que na Coreia, o sucesso da mesma Netflix abriu uma discussão pública sobre formas de remuneração de redes pelas empresas da internet. 


“Precisamos evoluir para a next neutrality. Temos oportunidade de aterrissar R$ 590 bilhões de valor incremental para a sociedade brasileira nos próximos anos eliminando essas assimetrias”, apontou o presidente da TIM, para defender a flexibilização das regras. 


Ele citou “ofertas de banda larga para o segmento de população de menor valor aquisitivo, paga menos mas tem cap de Gigabytes. Pacote de ofertas com velocidades diferentes para segmentos de clientes diferentes”, como exemplos de efeitos da “flexibilização” das regras de neutralidade. 


Os exemplos, porém, não só podem como são oferecidos no Brasil regularmente – mesmo com a regra de neutralidade de rede em vigor. De fato, a neutralidade complica a tentativa de estabelecer um mercado de duas pontas, com o pagamento adicional pelas empresas de internet – que já compram banda – por serviços de “qualidade garantida”. 


A TIM volta a esse tema de forma recorrente. Lá em 2013, quando ainda estava em discussão o Marco Civil da Internet (Lei 12.965/14), o vice presidente da empresa lembrou publicamente que “neutralidade de rede é dinheiro”. Nesse mesmo sentido, o atual presidente Griselli destacou o tamanho dos investimentos como argumento para reequilíbrio da cadeia de valor. 


 


“O investimento global anual de telecomunicações é de US$ 180 bilhões, sendo que nos próximos cinco anos vai chegar a US$ 1 trilhão para implantar o 5G. Mas sofremos duas assimetrias: a primeira é a distribuição do valor ao longo da cadeia. Nos últimos 10 anos, telecom perdeu 45% de ‘profit share’ distribuído ao longo da cadeia para demais atores”, destacou Griselli.

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