Rádio norte-americano já se prepara para mudança nos automóveis

Tudo Rádio-Notícias do Rádio – NAB 2018

Las Vegas - Carros autônomos devem mudar hábitos de consumo de mídia em veículos. Presença do rádio é discutida


Com 93% de alcance na população, o rádio dos Estados Unidos chama a atenção em todo o planeta. O desempenho positivo também reflete em faturamento para as estações de rádio. Mas como o mercado norte-americano atuou para chegar a essa marca e quais as principais preocupações do setor para os próximos anos? Três palestrantes tentaram mostrar durante o NAB Show 2018 os desafios do rádio dos Estados Unidos, em evento organizado pela ABERT e AESP à radiodifusores brasileiros. E a presença do rádio em veículos é a atual preocupação dos norte-americanos. 


Ontem (10), durante o café da manhã realizado pela ABERT e pela AESP um Café da Manhã no Hotel Bellagio, David Bayer (vice-presidente do Departamento de Tecnologia e administrador do Comitê de Rádio do NAB) apontou as preocupações atuais do rádio nos Estados Unidos e como o mercado está se preparando para isso. Os veículos autônomos, que poderão ser uma realidade nos próximos anos, devem mudar totalmente os hábitos de consumo de mídia das pessoas enquanto elas se locomovem. Sem precisar prestar a atenção no trânsito, as pessoas podem interagir e se entreter de diversas maneiras, o que pode gerar mais concorrência ao rádio.


A NAB, através de seus representantes, realizou várias pesquisas relacionadas ao consumo de rádio em veículos e como essa mídia está presente nos veículos que estão sendo lançados. No geral, o norte-americano tem o rádio como a sua principal fonte de consumo de mídia em veículos, através do sinal analógico em FM/AM. Porém, nos novos modelos apresentados em salões durante o ano de 2017, 27% deles já não contavam com as opções “Radio”, “Audio” ou “Band” em destaque.


Com esse panorama, a NAB se aproximou dos fabricantes automotivos, mostrando as vantagens de se contar com o rádio nos veículos e também as novas possibilidades tecnológicas. E a resposta tem sido positiva, com o interesse das montadoras em contar com a mídia rádio. Receptores “híbridos” que alternam a sintonia entre rádio terrestre e online, informações como música, logotipo de detalhes de programação no display, rádio digitais com mais opções de acesso, aplicativos de rádio online ou terrestre de terceiros (via celular) ou nativos nos sistemas automotivos, são alguns dos caminhos já positivos que a indústria norte-americana tem tomado.


Basicamente o caminho do rádio nos Estados Unidos, inclusive no Brasil, está na maneira de como ele se apresenta e também no conteúdo oferecido, conforme destacado nas palestras do café da manhã. A NAB conta com uma série de recomendações de “boas práticas” para as rádios, como a utilização do RDS, incrementos de aplicativos que funcionam via celular e são facilmente integrados aos sistemas automotivos, qualidade de áudio, entre outros serviços que fazem “o rádio parecer bom”, isso perante a série de concorrentes que surgem em diferentes dispositivos. Por exemplo: a ausência de informações via RDS, apenas com a frequência aparecendo no display, promove a experiencia de que a tecnologia rádio é defasada em relação às demais, o que diminui o seu interesse. Isso antes mesmo do consumo do conteúdo em áudio, conforme demonstrado por Bayer.



David Bayer (NAB) no início de sua apresentação


Inclusive o conteúdo é algo que segue “martelado” pelos palestrantes, situação fundamental que tem auxiliado o rádio norte-americano em seus resultados atuais (de audiência e faturamento). Henrique do Valle, outro palestrante do café da manhã, representante da produtora Reel World, destacou os projetos especiais para gerar boas experiencias aos ouvintes e anunciantes, além dos cuidados com programação que as rádios dos Estados Unidos possuem, seja na identidade sonora, como também na formatação de sua programação. Isso tem gerado resultado ao rádio norte-americano, este que também já se aproveita de novas tecnologias, como as caixas de som inteligentes.


Henrique bateu na tecla que tudo parte de pesquisa. Pesquisas realizadas pelo mercado e pelas próprias rádios, estas que dão um mapa de como a rádio deverá trabalhar em seu formato e nas decisões seguintes. As rádios dos Estados Unidos tem todo o comportamento do público mapeado, sabendo os hábitos de consumo, sexo, faixas etárias, preferencias para lazer, situação econômica, onde trabalham, etc. Esses detalhes serão debatidos no Painel tudoradio.com especial NAB Show, marcado para o próximo sábado (14) às 11h00 nas redes sociais do tudoradio.com.


Paulinho Leite, conhecido como “Velho Milk”, um dos profissionais pioneiros do rádio FM no Brasil e que há três décadas reside nos Estados Unidos e foi palestrante no café de ontem, também destacou esses pontos fortes do rádio norte-americano, inclusive mostrando como o FM evoluí (em número de emissoras e também em faturamento). As dez rádios que mais faturam nos Estados Unidos possuem cifras estimadas de 67,5 (milhões de dólares anuais) para a de maior valor, para 38 milhões (décima colocada do ranking). 



Radiodifusores presentes durante o evento em Las Vegas / Foto: ABERT


Ao todo 130 radiodifusores brasileiros participaram do café da manhã da ABERT e AESP, evento que teve as presenças de Paulo Tonet Camargo (presidente da ABERT), Paulo Machado de Carvalho Neto (Paulito, presidente da AESP), Juarez Quadros (presidente da ANATEL) e Moisés Queiroz Moreira (Secretário de Radiodifusão - MCTIC).


Daniel Starck


 


 

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