Operadoras abrem caminho para 5G

Valor-Empresas

Por Ana Luiza Mahlmeister | Para o Valor, de São Paulo



 


Marcos Scheffer, da Ericsson: "Em seis anos, serviços com 5G vão representar 34% da receita das operadoras"


São muitos os desafios para viabilizar a rede de quinta geração (5G) no Brasil, tanto pelo montante de investimentos requeridos quanto pela falta de definição das faixas de frequências e obstáculos na implantação de infraestrutura.


É consenso entre as operadoras e fabricantes que participaram da Futurecom 2017 que as futuras aplicações de internet das coisas, saúde, carros e caminhões autônomos, vão exigir redes sem fio de alta qualidade e precisão, só possíveis com o 5G, prevista para entrar em operação após 2020. A corrida das operadoras para pavimentar o caminho rumo à tecnologia, no entanto, começa agora, com a implantação de redes 4,5G e 4G Plus.


O 5G deve movimentar US$ 580 bilhões em negócios das operadoras até 2026. Em contrapartida exigirão investimentos pesados até essa data. Nos EUA, as teles devem desembolsar US$ 275 bilhões em sete anos, segundo estudo da Accenture. "Em seis anos os serviços de redes com 5G vão representar 34% da receita das operadoras, ou US$ 100 milhões por ano a partir de 2026 com a massificação da IoT, cidades inteligentes, carros conectados, indústria 4.0 para controle remoto de maquinário pesado", afirma Marcos Scheffer, vice-presidente de redes da Ericsson.


A rede também vai permitir a evolução da banda larga móvel, podendo alcançar mais localidades devido a maior potência dos sistemas sem fio. No início a rede 5G deve se concentrar em ilhas de conectividade, contemplando apenas algumas regiões que têm demanda por serviços.


Hoje a velocidade de transferência do 4G LTE chega a 1 gigabit por segundo (GBPs), potência total que normalmente não chega ao consumidor final. No 5G, não está claro ainda qual será a velocidade para o assinante, devendo alcançar entre 10 GBPs e 20 GBPs, o suficiente para baixar um filme em alta definição em dez segundos. Outra característica do 5G é que ele não exige processamento local, pois tudo é consolidado em nuvem. Os equipamentos - celulares, sensores, máquinas industriais -, por exemplo, não precisarão ter grande capacidade de processamento e armazenamento.


"As dificuldades para a implantação de antenas, com leis restritivas nos municípios, se tornam mais graves com a vinda do 5G, que exige mais infraestrutura e fibra óptica para interligar sites, consequentemente mais antenas e postes", afirma Leonardo Capdeville, diretor de tecnologia da TIM , que conta com 1,7 mil cidades com tecnologia 4G LTE. Como a rede sem fio tem mais potência, a vantagem é que não é necessário chegar com fibra até a última milha, ou à casa do cliente.


A Claro iniciou a implantação da tecnologia 4,5G alcançando 9 mil sites ou 50% da rede, e mais 2 mil sites entram em operação até o fim do ano. "Adquirimos frequência de 700 MHz nos preparando para o 5G e esperamos testar o uso dessa faixa em algumas regiões já pensando em IoT e a demanda por aplicações específicas de redes sem fio mais potentes", afirma Paulo Cesar Teixeira, CEO da Claro.


A Vivo também destinou frequências para o 5G e está migrando parte da capacidade da rede 2G para a 4G, além de expandir o circuito de fibra para mais cidades. A empresa também está virtualizando seus núcleos de rede, transportando esses dados para a nuvem de nove datacenters da Telefônica no país, ressalta Átila Branco, diretor de acesso e transporte de rede.


Para o secretário de telecomunicações do Ministério de Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), André Borges, as novas políticas para o setor devem tirar o foco da rede fixa e incentivar a implantação de estruturas sem fio, com a regulamentação da Lei das Antenas com alcance nacional. Antes da padronização de frequências pela UIT, prevista para 2019, a Anatel planeja antecipar testes em algumas faixas de espectro para ver na prática a viabilidade da tecnologia, completa Igor Freitas, do Conselho Diretor da Anatel.


 


Uma das reivindicações das operadoras à Anatel e ao MCTIC é a liberação da frequência ocupada com a rede 2G que ainda conta com 40 milhões de assinantes em todo o Brasil. A ideia é repetir a iniciativa que envolveu esforço coordenado entre as transmissoras de TV e o governo para liberar a faixa de TV analógica para a digital.

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