5G vai trazer novos desafios às teles

Valor-Empresas

Por Ana Luiza Mahlmeister | De São Paulo


As operadoras de telecomunicações detêm uma das maiores massas de dados da indústria, com petabytes de informações colhidas e armazenadas, com a vantagem de serem geolocalizadas, permitindo acompanhar a movimentação dos clientes e seu fluxo nas cidades - uma posição privilegiada na hora de oferecer serviços. O volume gigantesco de informações que vão se multiplicar com a entrada em operação das redes 5G e da internet das coisas (IoT) traz novos desafios para organizar e rentabilizar essas informações.


Em uma indústria tão competitiva, as empresas devem ser rápidas em criar novas receitas para substituir serviços em declínio, como o de voz. As empresas estão fazendo a lição de casa, definindo metodologias para extrair informações relevantes, afirma André Guerreiro, diretor de inteligência de mercado da Claro.


"Não adianta ter uma base de dados apenas para fazer relatórios para os executivos, sem resultados concretos", destaca Alexandre Siebra, diretor de sistemas analíticos da Nokia. Outro erro comum é isolar a equipe que trabalha o "big data" das outras áreas da empresa.


Orientar o assinante no uso do celular, usar informações analíticas e análises preditivas sobre o comportamento do consumidor antecipando seu descontentamento, são apenas algumas aplicações que começam a chegar às empresas. "Em um futuro próximo, qualquer sistema já trará embutido o aprendizado de máquina que agrega informações de forma automatizada e permite a análise de um grande volume de dados", completa Ricardo Sanfelice, vice-presidente de estratégia digital da Vivo. Já a Telefônica vem se preparando há quatro anos, investindo em infraestrutura com processamento local e a adoção de computação em nuvem.


Um dos gargalos, a contratação de mão de obra, foi resolvido com a aquisição da Sinergy Partners, especializada em treinamentos para sistemas analíticos, criando a Telefônica Data Academy. "O importante não é contar apenas com especialistas na tecnologia, mas em negócios", diz Sanfelice.


Na Oi, os sistemas analíticos já trazem novas receitas. Com 159 milhões de clientes no país e usando informações georeferenciadas, foram desenhados serviços que atendem principalmente o varejo. O sistema analisa o perfil das pessoas que circulam no entorno de determinado negócio Esses dados permitem entender se o mix de produtos é adequado para aquele ponto de venda, explica Sérgio Rosa, gerente de inteligência georreferenciais da Oi. A estratégia da TIM é aliar o big data e inteligência artificial para reger a base de clientes, permitindo fazer ofertas segundo a demanda real do momento. "É necessário ter estrutura para trabalhar com informações instantâneas", aponta o diretor de inovação, Janilson Bezerra.


 


 

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