MPF investiga ofensas racistas contra índios Warao em programa de rádio em Belém

G1-Pará

Segundo o MPF, radialista e repórteres fizeram diversas considerações preconceituosas e ofensivas contra os indígenas venezuelanos.


Por G1 PA, Belém


07/08/2018 17h32 Atualizado há menos de 1 minuto


Um programa de rádio de Belém é alvo de investigação sob suspeita de racismo. O Ministério Público Federal (MPF) informou nesta terça-feira (7) que abriu inquérito para investigar ofensas raciais proferidas em um programa de rádio em Belém contra indígenas da etnia Warao que migraram da Venezuela em meio à crise político-econômica no país vizinho. O G1 tenta contato com a rádio.


O programa foi ao ar no dia 2 de agosto na rádio Mix FM. De acordo com o MPF, em alguns minutos de conversa entre o locutor e outros repórteres várias noções preconceituosas são proferidas contra os indígenas e, em certo momento,o radialista os chama de vagabundos.


Cerca de 230 indígenas Warao chegaram a Belém desde 2017, fugindo da crise venezuelana. A maioria entrou por Roraima e passou por Boa Vista, mas acabaram se espalhando pela região, com presença em Manaus, no Amazonas, Santarém e Altamira, no oeste do Pará. Existem outros casos de racismo e discriminação registrados contra a etnia nas cidades por onde passaram, inclusive um incêndio criminoso em uma casa onde se abrigavam, em Boa Vista.


A investigação vai analisar o programa e os participantes, para apurar se “foram proferidas ofensas racistas, discriminatórias e xenofóbicas ao povo indígena venezuelando da etnia Warao”. Não existe prazo para o fim das investigações. O inquérito aberto é civil, mas o caso também será enviado para análise criminal.


A lei brasileira que define o crime de racismo lista como criminoso quem “praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional”. O crime pode resultar em pena de reclusão de um a três anos e multa.


 


 

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