Há soluções para os desafios da cobertura 5G com ondas milimétricas

Teletime-News –MWCA 2018

quinta-feira, 13 de setembro de 2018 , 21h44 | POR BRUNO DO AMARAL, DE LOS ANGELES


Testes com 5G estão acontecendo a todo o momento e em vários países, mas ainda há percepção negativa sobre o comportamento das frequências mais altas. As principais preocupações em relação às ondas milimétricas eram em relação ao alcance das antenas, incluindo em distâncias fora do campo de visão (NLOS – non-line of sight); interferência com a folhagem de árvores; handover entre torres; e a penetração em residências. Segundo o vice-presidente de estratégia, desenvolvimento de negócios e marketing da Samsung Electronics America, Alok Shah, boa parte desses problemas foram solucionados ou contornados, pelo menos nos testes em 28 GHz da fabricante sul-coreana. A companhia conta com pelo menos nove testes nos Estados Unidos com diferentes faixas: 28 GHz em 5G FWA e NR; 39 GHz; 2,5 GHz e 3,5 GHz (chamada de CBRS em sua porção de 150 MHz de 3.550 MHz a 3.700 MHz) – ou seja, testes com todas as maiores operadoras (AT&T, Verizon e Sprint), menos a T-Mobile, que corre por fora com faixa de 600 MHz.


Até pelo que se sabe com a transmissão ponto a ponto em micro-ondas em frequências altas, havia preocupação em relação ao alcance da cobertura em mmWave. Shah garante que inovações técnicas em algoritmos e sintonia fina dos aparelhos permitiram resultados melhores do que o esperado, chegando a um alcance de 800 m (a expectativa era de 50 m). "Claro que nem sempre vai funcionar tão bem deste jeito, mas é um bom resultado", avalia. No NLOS, o resultado também foi promissor, afirma.


Outra preocupação é com a densidade de antenas. Alok Shah ressalta que querer cobrir os EUA inteiro com 28 GHz é "um absurdo", e que as operadoras se valerão naturalmente de diferentes soluções de acordo com a demanda. Ele cita testes em ambiente urbano da capital da Coreia do Sul, Seul, em que conseguiu cobertura "quase tão boa" do que com LTE, conseguindo disponibilidade de download de 99% com uma CPE em um carro e 94% em um tablet, andando em uma calçada. Também solucionado está o handover: a Samsung realizou testes em um autódromo coreano, conseguindo manter a conexão em um veículo a 200 km/h sem maiores problemas.


Impactos negativos


A folhagem, por outro lado, apresentou-se como um desafio mais complicado. A solução encontrada foi contornar o problema: em vez de instalar as antenas em pontos mais altos, como tradicionalmente é feito em LTE, a Samsung acredita que é melhor colocá-las abaixo da copa das árvores. "Isso vira benefício, porque as próprias árvores refletem o sinal e conseguem trazer impacto positivo na cobertura", alega.


Penetração indoor também foi uma complicação, dependendo dos materiais da residência. "Em paredes não traz grandes problemas, é até melhor do que o vidro. O Low-E Glass (vidro baixo emissivo, utilizado mais em países de clima frio e que contém óxido metálico em uma das faces) é um problema", declara Shah. O executivo também sugere contornar a questão, desta vez com espécies de repetidores que podem ser internos ou externos. Equipamentos deste tipo já deverão ser vendidos a partir do dia 1 de outubro, com o lançamento da rede 5G da Verizon. "Ainda achamos que a grande maioria das residências ficarão apenas com o roteador interno, mas algumas terão que ficar para fora."


Caso britânico


O governo britânico promete comprometimento com a 5G para chegar a pelo menos compartilhar liderança da 5G. Os investimentos previstos para a próxima geração de infraestrutura digital é de 1,1 bilhão de libras, com 31 bilhões dedicados ao fundo de produtividade nacional. O governo espera um total de 8,7 trilhões de valor de ativos e serviços até 2035. Ao menos seis locais na Grã-Bretanha estão com testes em 5G. Entre os principais achados dos testes realizados pela Worcestershire Local Enterprise Partership (WLEP), uma iniciativa entre parceria privada e o condado local, na Inglaterra, e que constitui um conselho de 5G para o governo britânico, foi a mudança de modelo. "Não dá mais para ficar apenas no modelo de pressionar. As empresas querem 5G para ajudar a resolver problemas, e agora vamos ver como resolver", declarou o chair da Worcenstershire 5G Testbed, Mark Stansfeld.


Os executivos mostraram seus achados durante painel sobre trials de 5G nesta quinta-feira, 13, na Mobile World Congress Americas.


 


 

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