Governo da Nicarágua ordena que canal de TV de oposição seja retirado do ar

O Globo-Mundo

Emissora vinha noticiando os protestos contra o governo que, desde abril, deixaram 300 mortos e pelo menos 2 mil feridos


Reuters


 


01/12/2018 - 20:51 / 01/12/2018 - 20:55



 


Agentes de segurança se aproximam de carro da policia incendiado num dos protestos contra o presidente Daniel Ortega, em Manágua Foto: OSWALDO RIVAS/Reuters/2-9-18


CIDADE DO MÉXICO - O governoDaniel Ortega ordenou operadoras de TV por satélite naNicarágua que retirem de sua grade o sinal do canal de oposição 100% Noticias, que tem sido um dos poucos veículos a cobrir as manifestações contra o governo desde que começaram os protestos no país há sete meses.


O Instituto de Telecomunicações e Correios (Telcor) notificou na noite de sexta-feira as empresas de TV a cabo, ressaltando que, como regulador, é quem deve solicitar a inclusão de um canal em suas grades.


"Por conseguinte, e sendo que por seus meios é retransmitido o canal 100% Noticias sem a prévia autorização do regulador, solicitamos que retirem o canal 100% Noticias do sistema de televisão por satélite", ordenou o Telcor em nota.


A medida não atinge as operadoras de TV a cabo que não oferecem sinal via satélite. O 100% Noticias é transmitido exclusivamente pela televisão fechada.


A medida foi rechaçada pelo quadro do canal de televisão e por organizações de imprensa como a PEN Internacional.


Para Miguel Mora, diretor do 100% Noticias, a medida ocorre "porque o canal tem informado o povo" sobre o que ocorre no país.


Mais de 300 pessoas perderam suas vidas e pelo menos 2 mil ficaram feridas durante os protestos que começaram em abril passado contra os planos do governo de cortar os benefícios sociais. Várias organizações de direitos humanos, incluindo a ONU, denunciaram uma violação sistemática dos direitos humanos durante os quase oito meses de manifestações.


 


Os protestos na Nicarágua começaram em 18 de abril contra uma reforma da Previdência baixada por decreto pelo governo, mas a repressão oficial fez com que crescessem e se transformassem em manifestantes contra Ortega, que está no poder desde 2017.

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