Compartilhamento de infraestrutura é a única solução

SET - Infraestrutura


Participantes do painel de Compartilhamento de Infraestrutura no SET Sudeste 2019. Foto: Marlon Andreluci/SET


Com o fim da primeira fase do switch-off do sinal analógico de TV no Brasil, um tema tomou espaço na agenda de engenheiros de radiodifusão no país: o compartilhamento de infraestrutura de transmissão para dar conta dos mais de 4.000 municípios que ainda precisam passar pelo processo até 2023.


No SET Sudeste 2019, o tema foi debatido no último painel da segunda-feira, dia 13, e contou com vários especialistas que dividiram suas experiências e conhecimentos.


Com moderação de Francisco Peres, gerente de Engenharia da TV Globo, a sessão contou com as presenças de Marcelo Zamot, gerente comercial da Ideal Antenas; Sérgio Martines, diretor executivo da SM Facilities; Guilherme Castelo Branco, diretor da Phase Engenharia; Fernando Gomes de Oliveira Neias, gerente de Gestão e Planejamento na EAD/Seja Digital; Conrado Teixeira Moreira, supervisor executivo de Tecnologia da TV Globo Minas e Camilla Cintra, supervisora eecutiva da Área de Projetos de Transmissão da TV Globo.


“O compartilhamento de infraestrutura foi pontual durante muito tempo, mas agora ele é certamente a solução para multiplicarmos por três o número de estações desde que começamos a TV digital em 2007”, iniciou Peres.


Fernando Neias foi o primeiro a se apresentar e fez um resumo do trabalho da Seja Digital durante todo o processo de desligamento do sinal analógico de TV.


O representante da EAD informou que ainda há 10 mil canais a serem remanejados até 2023. Ele ressaltou que as dificuldades não são só técnicas, mas também regulatórias (falta de outorga para o canal), débitos e até mesmo a falta de um representante legal do canal no caso de municípios.


Na sequência, Conrado Moreira descreveu a estrutura compartilhada que foi instalada na cidade de Tiradentes, em Minas Gerais.


Ele avisou: “o assunto switch-off parece antigo, mas nos preocupa muito mais a data de 2023”.


Minas Gerais é um estado que sozinho detém mais de 800 municípios que ainda não passaram pela transformação digital e não garantem à uma população de mais de 13 milhões de pessoas acesso gratuito aos canais de TV nesta tecnologia.


Conrado então mostrou uma série de fotos sobre o estado precário das redes analógicas de algumas prefeituras e a necessidade de revitalização.


O Projeto Tiradentes foi uma parceira da ABERT e da TV Globo, Band e SBT em Minas Gerais. Os parceiros implataram uma estação compartilhada pelas três emissoras. “Fomos inspirados pelas experiências das redes de telefonia móvel”, informou. “Fizemos uma parceria com o mercado que propiciou o desenvolvimento de produtos nacionais para esta estação”, acrescentou Conrado.


“Na nossa avaliação é um modelo que permite interiorização em escala. É como um capex reduzido”, resumiu.


A seguir, Marcelo Zamot detalhou o trabalho da Ideal Antenas na Estação de Tiradentes como fornecedora dos equipamentos. “Tivemos um desafio e fomos muito felizes”, disse. Ele explicou a elaboração e execução do projeto e o trabalho com as emissoras.


O palestrante seguinte foi Guilherme Castelo Branco que falou sobre os novos transmissores para este tipo de site. Ele ressaltou a parceria entre a Phase e a empresa chinesa AnyWave, que está chegando ao Brasil. “O compartilhamento de infraestrutura viabilizará a digitalização nos municípios que restam”, avaliou.


Para o representante da Phase Engenharia, um transmissor para este tipo de site é aquele que não precisa de abrigo e climatização, é simples, de baixa manutenção e de instalação rápida. Na sequencia, apresentou a opção da AnyWave, desenvolvida especialmente para o mercado brasileiro.


Celso Martinez, da SM Facilities, fez um panorama dos vários modelos de negócio e das possibilidades de redução de custos com o compartilhamento, resumido por Peres como o “broadcast as a service“.


Ao final, Camila Cintra, da TV Globo, ressaltou o trabalho realizado até agora e destacou o que falta: “caminhar juntos”.


Para ela, a mobilização do setor foi essencial no caso de Tiradentes. “Se o cenário analógico era de concorrência, o atual, digital, é de parceria. Sem parceria a gente não vai conseguir chegar a 2023 com um o menor impacto possível”, enfatizou.


“Precisamos dar as mãos e fortalecer a TV aberta e o rádio”. “Compartilhar é a solução que permite a escalabilidade e a viabilidade econômica”, disse.


Ela explicou o trabalho do Grupo de Compartilhamento de Infraestrutura da ABERT e do Grupo de Trabalho ASO Fase II do Fórum SBTVD. “O que a indústria está oferecendo já é o resultado do que o Grupo da ABERT solicitou”, disse em relação à apresentação de Martinez.


“Agora, precisamos validar novas soluções e modelos de negócios, atuar fortemente com as prefeituras locais; reforçar o apoio das associações, como a SET, fortalecer nossas frentes de trabalho e seguir em frente”, finalizou.

Voltar