Teles: migração dos serviços de TV para a banda Ku coloca em risco o 5G

Convergência Digital - Telecom

Ana Paula Lobo e Luis Osvaldo Grossmann ... 25/09/2019 ... Convergência Digital


Diante de estimativas que sugerem elevar em bilhões de reais os valores do leilão do 5G, as operadoras de telecomunicações, por meio de posicionamento oficial do SindiTelebrasil, divulgado nesta quarta-feira, 25/09,  afirmam que "são perfeitamente solucionáveis os eventuais casos de interferência do uso do 5G na recepção de sinais de televisão transmitidos via satélite pela Banda C (TVRO)."


A posição oficial das teles acontece depois da apresentação de propostas de mitigação de interferências baseadas na migração das transmissões para a banda Ku, cujos valores podem chegar de R$ 2,9 bilhões, como apontam estudos da Abratel, a até quase R$ 10 bilhões, segundo discussões de radiodifusores junto à Anatel. Para as empresas interessadas no leilão 5G, esse custo deve ser muitas vezes menor, abaixo de R$ 500 milhões. 


Segundo as empresas, "a possibilidade de interferência sobre a recepção de TV aberta via satélite, pelo uso da faixa de 3,5 Ghz, estará restrita a uma quantidade muito reduzida de domicílios (aproximadamente 5% do total), localizados principalmente nos grandes centros urbanos, pois são as localidades onde o 5G deve ser implementado na frequência de 3.5GHz. Nas regiões menos densamente povoadas, onde está concentrada a grande maioria dos domicílios com TV aberta por satélite, este impacto não deve existir, já que a implantação de novas tecnologias se inicia tradicionalmente pelas maiores cidades do país."


 


De acordo com o SindiTelebrasil,  os eventuais impactos, quando ocorrerem, poderão ser mitigados com a utilização de filtros nos domicílios que sofrerem interferência. Essa solução de mitigação da TVRO na banda C já foi testada e se mostra perfeitamente viável e com o menor custo possível, a ser discutido entre todos os agentes envolvidos.

A nota oficial demarca posição com relação às opções colocadas à mesa, como, por exemplo, a migração de todo o serviço para a banda Ku. As operadoras sustentam que essa migração traz "um impacto e uma complexidade muito mais elevados, e estas, sim, colocam em risco o processo de licitação e o desenvolvimento da tecnologia 5G no Brasil."

A solução, portanto, adianta a nota oficial do SindiTelebrasil, "deve ser aquela de menor impacto financeiro e maior facilidade de operacionalização, não trazendo dificuldades para o processo e garantindo o uso eficiente dos recursos públicos. O tratamento das possíveis interferências precisa ser endereçado no edital, inclusive para trazer segurança jurídica sobre a utilização efetiva da faixa a ser adquirida."

As operadoras informam ainda que proposta das prestadoras de mitigação tem sido apresentada ao governo e novos testes e que elas contemplam "situações reais não detalhadas nos testes coordenados pela Anatel e realizados em condições de irradiação direta e concentrada de sinais da tecnologia 5G sobre equipamentos TVRO na Banda C, serão feitos no próximo mês e expostos às autoridades brasileiras para trazer maior tranquilidade sobre a solução apresentada.

Uma das medidas de mitigação, adicional à adoção dos filtros, e concomitante à implantação do 5G, seria a migração dos canais de televisão da parte mais baixa da faixa de frequência para a parte mais alta, distanciando o serviço de televisão transmitidos via satélite da faixa de 3,5 GHz a ser utilizada pelo 5G. Essa medida, somada à expansão da cobertura de TV digital terrestre, já reduziria em muito as eventuais interferências."

As operadoras também sugerem a substituição do amplificador de sinal das antenas parabólicas, que se apresenta com uma solução técnica e operacional mais simples. Conforme as teles, "os eventuais problemas que porventura ainda persistam após a adoção dessas medidas seriam tratados pontualmente".

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