Redes sociais são os canais mais usados para acompanhar notícias

Meio & Mensagem-Mídia

Estudo realizado pela MindMiners em parceria com a Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP) revela que 80% dos brasileiros usam as redes para acompanhar ou compartilhar notícias


 


Amanda Schnaider
10 de outubro de 2019 - 14h57



 


As redes sociais estão cada vez mais presentes na vida dos brasileiros e já se tornaram o canal que 80% das pessoas utilizam para acompanhar as notícias do País e do mundo, de acordo com estudo realizado pela MindMiners, empresa especializada em pesquisa digital, em parceria com a Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP). Apesar disso, 52% das pessoas acreditam que esse canal é pouco ou nada confiável para acompanhar ou compartilhar notícias. Já, TV fechada é considerada confiável ou muito confiável para se atualizar sobre notícias por 68% da população brasileira, e TV aberta por 64%.



 


(Fonte: MindMiners/MeSeems)


“A facilidade de agregar informações de maneira ágil é uma das características que ocasionaram o sucesso das redes sociais, mas diante desse contexto da organização social em que todos podem produzir e consumir conteúdo, perdemos referências importantes de checagem de fatos e credibilidade, que antes eram exercidas pelo estado e pela mídia”, Beatriz Menezes, analista de marketing da MeSeems, responsável pela pesquisa realizada de 22 à 27 de agosto, que contou com 1000 entrevistados de todas as classes e regiões do Brasil, da base de respondentes proprietária da MindMiners, o MeSeems.


De forma geral, o estudo mostra que o WhatsApp é a plataforma social mais utilizada pelos brasileiros, seguida por Facebook, Youtube e Instagram. Entretanto, quase metade dos respondentes disseram que o aplicativo de mensagens instantâneas, é a rede social onde mais notícias falas são compartilhadas.


O levantamento ainda revela que 48% dos brasileiros concordam parcialmente ou totalmente com a afirmação de se sentir próximo das pessoas que seguem nas redes, mesmo que não as conheçam pessoalmente. Em contrapartida, apenas 17% dos entrevistados confiam em notícias ou informações vindas dos produtores de conteúdo digitais (influenciadores). “O que é produzido em conteúdo pelos próprios usuários ainda é visto com desconfiança, por conta da ausência de órgãos mediadores que atuam na validação das informações. Essa é uma premissa que também vale para os influenciadores digitais, uma vez que ainda não existem instrumentos de validação do que produzem”, explica Beatriz.


A responsável pelo estudo ainda avalia que diante do amplo debate sobre a circulação de notícias falsas em canais digitais, as pessoas estão adquirindo o hábito de checar informações e notícias que recebem, mesmo quando parte vem de pessoas próximas ou que consideram confiáveis. “O processo de checagem pode revelar informações incoerentes ou completamente falsas, por isso atualmente ser próximo a alguém não pressupõe mais total confiança no que é transmitido pelo interlocutor”, completa.


 


Recomendações
Além de notícias e informações, outro dado da pesquisa revela a recomendação sobre produtos e serviços estão crescendo nas redes sociais, já que 77% das pessoas disseram que buscam por essas recomendações nas plataformas digitais. Entretanto, apenas 22% das pessoas consideram as indicações vindas de influenciadores digitais confiáveis ou muito confiáveis, ficando atrás de jornalistas e veículos de comunicação (44%), empresas do segmento (49%), amigos e familiares (57%), professor (61%) e especialista (78%).



 


(Fonte: MindMiners/MeSeems)


Por falar em empresas, de acordo com o estudo, oferecer produtos de qualidade, ser sustentável e atender as necessidades das sociedade são os principais atributos que as pessoas acreditam que as empresas devem ter para adquirirem sua confiança. “O consumidor está atento para além do que as empresas entregam como produto ou serviço final. Para as empresas, se torna cada vez mais importante atender demandas sociais com responsabilidade e coerência a sua essência”, reforça Beatriz.


 


Relação de dependência e ansiedade
“Apesar das redes sociais terem surgido ainda nos anos 1990, apenas agora com a popularização e massificação da internet, principalmente móvel, estamos percebendo uma mudança brusca no comportamento e no cotidiano das pessoas por conta desse recurso”, afirma Beatriz. O estudo aponta que verificar notificações é o principal motivo pelo qual as pessoas acessam as redes sociais, visto que 43% dos entrevistados concordam totalmente ou parcialmente que pararam o que estão fazendo assim que recebem uma notificação do WhatsApp, Facebook ou Instagram.



 


(Fonte: MindMiners/MeSeems)


Além disso, 64% das pessoas dizem concordar parcialmente ou totalmente com a afirmação de que logo após publicar algo nas redes, checam ao menos uma vez a quantidade de visualizações ou curtidas, sendo que 41% dos entrevistados consideram importante as reações das pessoas aos seus posts. A analista de marketing da MeSeems avalia que na ausência de outras instituições exercendo esse papel, as redes sociais se tornaram um local de autoafirmação, onde as pessoas só se reconhecem enquanto sujeitos diante da aprovação do outro.


“Os usuários se preocupam com a forma como serão vistos dentro desses canais e o quão em dia estarão com as informações geradas dentre deles. Sendo assim, dar conta dessas informações e de receber as aprovações, que surgem através de likes, comentários e compartilhamentos, gera angústias que podem se tornar sintomas de ansiedade e outros transtornos mentais”, completa Beatriz.


 *Crédito da imagem no topo: Pete Linforth/Pixabay

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