Jornalistas da BandNews FM lançam livro em homenagem a Ricardo Boechat

PORTAL IMPRENSA - NOTÍCIAS

Kassia Nobre | 29/11/2019 08:55


Eduardo Barão e Pablo Fernandez, jornalistas da BandNews FM, lançaram “Eu sou Ricardo Boechat” (Panda Books), obra que reuniu 100 histórias de momentos emocionantes e divertidos dos quarenta anos de carreira do âncora do jornal da Band e da BandNews FM. 


Boechat morreu aos 66 anos após a queda de um helicóptero no dia 11 de fevereiro de 2019, em São Paulo. 


 


Crédito:Divulgação Panda Books



 



Eduardo Barão afirma que o livro é uma homenagem ao amigo jornalista.  “Infelizmente a memória do brasileiro é curta. Houve uma comoção muito grande nos dias seguintes da tragédia, mas acho importante que esse brilhante ser humano, além de excepcional jornalista, não seja esquecido. E aí eu não me refiro apenas aos profissionais do meio, mas também a todas as pessoas que, de alguma forma, foram ajudadas ou se sentiram tocadas por suas notícias, comentários, ou gestos de solidariedade que teve durante sua vida”. 


O livro revela histórias de Boechat,  que tinha mais de quarenta anos de trabalho nos principais veículos de comunicação do país. Eduardo Barão dividiu o microfone da BandNews com o amigo por 13 anos. Já Pablo Fernandez estreou no jornalismo em 2005, mesmo ano em que Boechat começou a trabalhar com rádio. 
 


Boechat de verdade


Eduardo Barão ressalta que o leitor irá encontrar na obra um Boechat de verdade. “Um relato de como ele era. Eu e meu amigo Pablo Fernandez tivemos o cuidado de não querer transformá-lo num super herói, num mártir. Boechat era um ser humano espetacular, que ajudava o próximo ser medir esforços, mas era ser humano. Com erros e acertos. O livro também mostra um lado que, pra mim, era o mais cativante do Boechat, que eram suas histórias de vida. Que ele dividia, sem pudores, diariamente na redação com a gente e, muitas vezes, ao vivo para os ouvintes. E algumas são engraçadíssimas”. 


O livro relata que  Boechat descobriu no rádio, em 2005, a sua verdadeira vocação. Na obra, Barão e Pablo lembram que, empolgado com a interação que o rádio possibilita, Boechat muitas vezes divulgava seu número de celular para receber informações dos ouvintes.


Barão conta ainda que não há uma história preferida. Ele gosta de todas.  “Eu e o Pablo selecionamos 100 histórias, entre muitas outras que lembramos. Tem uma história que envolve a atriz Maitê Proença que é muito engraçada”.


A seguir, o trecho da história com Maitê Proença:


“Ricardo Boechat era padrinho da filha do empresário Paulo Marinho com a atriz Maitê Proença, de quem se tornou grande amigo. Juntos, passaram por alguns perrengues, e um deles foi em 1987, quando Boechat era secretário estadual de Comunicação no Rio de Janeiro. Ficou apenas seis meses no cargo e dizia ter sido o pior período de sua vida. Na época, ele vivia na capital e os filhos em Niterói.


Em um sábado de manhã, como não tinha carro, Boechat não pensou duas vezes e pediu o da Maitê – o mais novo e bonito que existia – emprestado. Era um Monza, fabricado pela General Motors (GM). Um dos mais desejados na época.


Boechat vestiu bermuda e camiseta, calçou chinelos de dedo e pegou o volante para ver os filhos, com um pequeno detalhe: ele não tinha carteira de habilitação. E ele fazia isso desde os 15 anos.


Na ponte Rio-Niterói, o Monza da Maitê Proença, sem a atriz, foi parado pela Polícia Rodoviária Federal. Naquela época, Boechat não aparecia na TV e, por isso, não tinha o rosto conhecido.


‘Por favor, a habilitação.’


‘Olha, seu guarda, eu não tenho, não’, disse Boechat.


‘Você não tem habilitação? Então sai do carro.’


O policial olhou-o de cima a baixo e perguntou:


‘Esse carro é seu?’


‘Não, não é meu. É da minha comadre’, afirmou.


‘Os documentos do carro. E como chama sua comadre?’


‘Maitê Proença.’ Isso no auge da carreira dela. (…)”


Sem papas na língua


Os autores de “Eu sou Ricardo Boechat” relatam também a notoriedade e respeito do jornalista que não tinha papas na língua. Ele não poupava críticas e denúncias, citando desde uma discussão acalorada com o pastor Silas Malafaia até a sua total indignação com a displicência com as vítimas do incêndio na boate Kiss, em Santa Maria (RS), em janeiro de 2013. 


Há também a descrição dos bastidores da redação da BandNews FM no dia do trágico acidente de helicóptero que matou Ricardo Boechat. Com a equipe em choque, coube a Sheila Magalhães, diretora de jornalismo, dar a triste notícia.

O livro traz ainda um caderno de fotos que retrata muitos momentos importantes da vida de Boechat. A mulher do jornalista, Veruska (ou Doce Veruska, como ele costumava chamá-la) assina o prefácio.


 


 

Voltar