Efeito coronavírus: Facebook relata queda em publicidade

Meio & Mensagem - Mídia

Comunicado da plataforma informa que há um congestionamento de usuários nas propriedades do Facebook, mas isso não se converte em venda de anúncios


25 de março de 2020 - 18h42


Por Garett Sloane, do Advertising Age


O Facebook seguiu os passos do Twitter com um novo aviso sobre a saúde dos anúncios digitais desde que foi constatada a pandemia do novo coronavírus. De acordo com a companhia, a receita de anúncios já foi impactada nessas semanas, ao mesmo tempo em que seus serviços lidam com um aumento de tráfego. 



Verticais que usuários estão utilizando na plataforma não são monetizáveis, como o Messenger e os grupos (Crédito: Ghia Nguyen/Unsplash)


Na terça-feira, 24, o Facebook fez sua primeira atualização oficial a respeito de como a publicidade está performando enquanto o coronavírus está se espalhando e causando interrupções nos negócios nos Estados Unidos e no mundo. A rede social diz que, confinadas em casa, as pessoas estão inundando seus aplicativos e sites para se comunicar, mas que as plataformas não estão exatamente se beneficiando dessa audiência cativa.


 


“O nosso negócio está sendo afetado negativamente assim como muitos ao redor do mundo”, afirma a empresa em uma publicação em seu blog. “Nós não monetizamos muitos dos serviços onde estamos vendo maior engajamento e estamos vendo nossos ad business enfraquecerem”. A publicação foi assinada por Alex Schultz, VP de analytics, e Jay Parikh, VP de engenharia.


 


 


Na semana passada, Mark Zuckerberg, CEO do Facebook, informou ao público que um número crescente de usuários estão tributando seus sistemas conforme as pessoas estão em casa e se comunicando online. Isso significa que mais pessoas estão usando o Facebook Messenger para falar com seus familiares e amigos; mais pessoas estão passando tempo em Grupos da plataforma, que é destinado para nichos de comunidades baseadas em interesses em comum; e mais entidades estão usando o formato de vídeo em Stories e transmissões ao vivo. No entanto, alguns desses espaços digitais não são tão propícios à publicidade como o feed de notícias tradicional. Não há anúncios nos Grupos, por exemplo.


“Em muitos dos países mais afetados pelo vírus, a troca de mensagens cresceu mais de 50% no último mês”, diz o post. “Da mesma forma, as ligações por voz ou vídeo mais do que duplicaram no Messenger e WhatsApp”.


O aviso do Facebook segue um comunicado público do Twitter publicado na segunda-feira, 23, em que a plataforma diz que seu faturamento publicitário sendo impactado negativamente pelo coronavírus. O Twitter também está lidando com um fluxo maior de usuários.


As duas empresas devem divulgar seus resultados do primeiro trimestre do ano nas próximas semanas, o que, provavelmente, fornecerá uma imagem mais clara de como a indústria da publicidade digital foi impactada pelo coronavírus. Já há sinais de uma queda em indústrias como turismo, hotelaria e companhias aéreas, que tiveram que diminuir o investimento em marketing enquanto as pessoas permanecem em casa.


 


 


Esse período difícil deve continuar. Nesta terça-feira, 24, o Comitê Olímpico Internacional anunciou que as Olimpíadas de Tóquio vão ser adiadas para 2021. Os Jogos não são representam o maior evento para a NBC — emissora oficial — em termos publicitários, mas também são uma oportunidade grande para plataformas digitais.


Enquanto isso, a preocupação imediata do Facebook é manter sua conexão ativa. A empresa disse que vai reduzir a qualidade dos vídeos publicados na plataforma para lidar com a grande demanda, assim como anunciaram a Netflix, o YouTube e a Amazon.


“Nós estamos monitorando os padrões de uso cuidadosamente e tornando nossos sistemas mais eficientes”, coloca o comunicado. “Para ajudar a aliviar o potencial congestionamento da rede, estamos reduzindo temporariamente as taxas de bits para vídeos no Facebook e Instagram em certas regiões”.


 


 


**Crédito da imagem no topo: Simon Steinberger/Pixabay

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