DESIGUALDADE DIGITAL DEIXA 47 MILHÕES DE BRASILEIROS DESCONECTADOS, APONTA PESQUISA

TELE.SÍNTESE

ABNOR GONDIM 26 DE MAIO DE 2020


 


Os dados registram pela primeira vez, que três em cada quatro brasileiros utilizam a web, mas há 26 milhões sem acesso nas classes DE. 58% dos brasileiros buscam a rede exclusivamente pelo telefone móvel, proporção que chega a 85% na classe DE.



 


Apesar de o uso da internet ter atingido, pela primeira vez, metade da população brasileira, cerca de um um quarto dos habitantes (47 milhões) segue desconectada. Há 26 milhões de não-usuários somente na classe DE.  Cerca de 20 milhões de domicílios não possuem conexão à Internet, realidade que afeta especialmente domicílios da região Nordeste (35%) e famílias com renda de até um salário mínimo (45%).


Os dados sobre as desigualdades digitais no país são da pesquisa TIC Domicílios 2019, lançada hoje, 26 , pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), por meio do Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br) do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br).


Segundo a pesquisa, o celular é o principal dispositivo para acessar a internet, usado pela quase totalidade dos usuários da rede (99%). A pesquisa ainda aponta que 58% dos brasileiros acessam a rede exclusivamente pelo telefone celular, proporção que chega a 85% na classe DE. O uso exclusivo do telefone também predomina entre a população preta (65%) e parda (61%), frente a 51% da população branca.


Entre os anos de 2008 a 2019, houve um aumento significativo no número de lares brasileiros que possuem acesso à internet. De lá para cá, este número cresceu de 34% para 74%. Em contrapartida, o serviço que já é realidade para 95% dos mais ricos, entre as classes D e E este número cai para 57%. Além disso, 20 milhões de domicílios (28%), não possuem acesso à internet.


O contingente de indivíduos sem internet envolve  35 milhões de pessoas em áreas urbanas (23%) e 12 milhões em áreas rurais (47%). O aumento do uso da internet deverá aumentar bastante por conta do isolamento social provocado pela pandemia do novo coronavírus, que começou a se expandir no Brasil em março. Também deve ficar mais evidentes como as famílias de menor renda serão mais afetadas, segundo o gerente  do Cetic.br, Alexandre Barbosa.


“A falta de acesso à Internet e o uso exclusivamente por celular, especialmente nas classes DE, evidenciam as desigualdades digitais presentes no país, e apresentam desafios relevantes para a efetividade das políticas públicas de enfrentamento da pandemia. A população infantil em idade escolar nas famílias vulneráveis e sem acesso à internet também é muito afetada neste período de isolamento social. A pandemia revela de forma clara as desigualdades no Brasil”, destacou.


Para coordenadora de pequisa sobre Cultura na Internet, Luciana Lima, os dados foram coletadas antes da pandemia, mas já apresentam o cenário das desigualdades digitais  que exigem a necessidade de políticas  públicas para o enfrentamento dessa crise. “No caso do auxílio emergencial, que é uma das principais iniciativas [de políticas públicas] neste sentido, a gente tem visto algumas dificuldades de implementação justamente por conta destas limitações de acesso à internet”, afirmou.


AVANÇOS


De acordo com a pesquisa, o Brasil conta com 134 milhões de usuários de internet, o que representa 74% da população com 10 anos ou mais. Pela primeira vez na série histórica da pesquisa, mais da metade da população vivendo em áreas rurais declarou ser usuária de internet, chegando a 53%, proporção inferior à verificada nas áreas urbanas (77%). No recorte por classe socioeconômica, também houve avanço no percentual de usuários das classes DE, que passou de 30% em 2015 para 57% em 2019.


Em relação ao tipo de conexão presente nos domicílios, a pesquisa revela que nos últimos quatro anos houve uma inversão nas posições de conexão por cabo ou fibra óptica, e via linha telefônica (DSL). O acesso via cabo ou fibra óptica passou de 24% (2015) para 44% (2019), mesma diferença da conexão DSL, que caiu de 26% para 6% nesse período.


De acordo com a TIC Domicílios, houve um crescimento no uso da rede pela televisão (37%), um aumento de sete pontos percentuais em relação a 2018.


No que se refere a conexão domiciliar, a Internet está presente em 71% dos domicílios brasileiros. A pesquisa constatou um aumento no número de domicílios com acesso à Internet nas classes C e DE. Nas classes DE, a proporção passou de 30% em 2015 para 50% em 2019.


QUEDA EM COMPUTADORES


 


Pelo quarto ano consecutivo, a pesquisa verificou uma redução da presença de computadores nos domicílios, passando de 50% em 2016 para 39% em 2019. Pelo recorte socioeconômico, enquanto 95% domicílios da classe A possuem algum tipo de computador, eles estão presentes em apenas 44% dos domicílios da classe C e 14% dos domicílios das classes DE.

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