Vantagem dentro da margem de erro reforça cenário de polarização e disputa acirrada para as eleição presidencial.

AESP | Redação
27/03/2026

A mais recente pesquisa nacional de intenção de voto para a Presidência da República, realizada pela AESP em parceria com o instituto GERP, indica um cenário de disputa acirrada e possível virada na eleição de 2026.

Na simulação de segundo turno, Flávio Bolsonaro aparece com 48% das intenções de voto, à frente de Luiz Inácio Lula da Silva, que registra 45%. O resultado aponta vantagem numérica de Flávio dentro da margem de erro e reforça o ambiente de forte polarização.

Já no primeiro turno, os dois candidatos figuram em empate técnico, consolidando um cenário em que a definição da eleição tende a ocorrer apenas na etapa final.

O levantamento foi realizado entre os dias 20 e 25 de março de 2026, com 2.000 entrevistas em todo o território nacional. A pesquisa apresenta margem de erro de 2,24 pontos percentuais e nível de confiança de 95,5%.

Os dados indicam uma disputa aberta, com alto grau de competitividade e tendência de decisão no segundo turno.

A AESP, cumprindo seu papel institucional e de acompanhamento do cenário nacional, encomendou o estudo junto ao instituto GERP.

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Sumário GERP:

Com base no 12º relatório nacional da AESP Gerp sobre as eleições presidenciais de 2026, o dado que mais chama atenção é a entrada competitiva de Flávio Bolsonaro no centro do tabuleiro eleitoral, aproximando-se de Lula tanto no primeiro quanto no segundo turno — algo impensável meses atrás.

A pesquisa foi realizada entre 28 de janeiro e 2 de fevereiro de 2026, com 2.000 entrevistas telefônicas via sistema CATI, amostragem por cotas de sexo, idade e renda do chefe do domicílio, ponderação por região e margem de erro de ±2,24 pontos percentuais, com nível de confiança de 95,5%.

Segundo o levantamento de janeiro, Lula aparece com 39% das intenções de voto estimuladas, enquanto Flávio Bolsonaro alcança 35%, uma diferença de apenas quatro pontos percentuais, dentro da margem de erro da pesquisa, o que configura empate técnico.

No segundo turno, o cenário se estreita ainda mais: Lula teria 45% contra 45% de Flávio Bolsonaro, caracterizando igualdade absoluta no confronto direto.

Crescimento sustentado

A ascensão de Flávio não se resume ao voto declarado. Ele combina:

  • Alto nível de conhecimento: 84% dos eleitores dizem conhecê-lo.
  • Intenção de voto competitiva: 35%.
  • Rejeição bruta menor que a de Lula: 41%, contra 51% do presidente.

Esse tripé — conhecimento + voto + rejeição — mostra que Flávio não é apenas um nome lembrado: ele já converte parte expressiva dessa lembrança em apoio real, ao mesmo tempo em que mantém uma rejeição inferior à do principal adversário.

Do ponto de vista eleitoral, isso indica algo crucial: Flávio deixa de ser apenas um herdeiro político ou coadjuvante no campo conservador e passa a ocupar espaço próprio no imaginário nacional, disputando voto a voto com Lula.

Um duelo aberto

Os cruzamentos regionais e demográficos reforçam essa fotografia polarizada.

Na intenção estimulada, Lula segue numericamente à frente no Nordeste (43%) e entre as mulheres (43%), enquanto Flávio Bolsonaro mostra maior competitividade entre os homens (42%) e empata tecnicamente no Sudeste (39% a 35%).

Por renda, o contraste é ainda mais claro: Lula lidera entre os estratos mais baixos — chegando a 51% entre famílias com até um salário mínimo —, enquanto Flávio cresce progressivamente nas faixas superiores, atingindo 50% entre quem ganha mais de 30 salários mínimos.

Regionalmente, Flávio ultrapassa ou empata em áreas-chave como o Sul e o Sudeste, territórios decisivos para qualquer vitória nacional, enquanto Lula mantém colchões importantes no Nordeste.

Esses padrões reproduzem a clivagem estrutural da política brasileira contemporânea: renda, território e gênero continuam funcionando como linhas mestras da disputa presidencial.

Leitura política

Em termos eleitorais, o quadro que emerge é este:

Flávio Bolsonaro não aparece mais como aposta futura: surge como competidor imediato, capaz de enfrentar Lula em condições de igualdade.

Três sinais sustentam essa narrativa:

  1. Empate técnico no primeiro turno.
  2. Empate absoluto no segundo turno.
  3. Rejeição inferior à do presidente.

Para Lula, o alerta é evidente: a liderança do campo progressista permanece, mas já não é confortável. A rejeição elevada limita margens de expansão e transforma a eleição em disputa aberta.

Para Flávio, o recado é igualmente claro: ele cruza a fronteira simbólica entre o “possível” e o “viável” — e passa a figurar como protagonista real da polarização nacional que começa a se desenhar para 2026.

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